Imagem capa - Ouvindo Música com Qualidade sem ir à falência – equipamentos usados por gilson lorenti
Música

Ouvindo Música com Qualidade sem ir à falência – equipamentos usados

Hoje o mundo anda muito triste. O streaming domina a cena musical e as pessoas ouvem suas músicas com fones de ouvido medianos em seus celulares. A mídia física está relegada apenas à colecionadores e audiófilos e equipamentos de som com qualidade custam uma fortuna. Mas, se você quer se aventurar nesse mundo, existem opções com preços mais em conta se você não ligar de apostar em um equipamento usado.


Mas, primeiro uma pequena explicação. Eu não sou audiófilo, longe disso. Não sou fresco (brincadeirinha) e fui criado em uma família que gostava de ouvir música. Então, o que quero é poder ouvir CDs e LPs com uma qualidade aceitável. Sei que os investimentos começam a ficar altos quando você pensa em qualidade, mas são acessíveis se você fizer isso paulatinamente. Hoje estou com um receiver estéreo da Yamaha, um reprodutor de CD da Sony (com uns 30 anos de vida), duas caixas de som da Pioneer (sonho recente realizado) e um toca disco da Gradiente (esse com uns 40 anos). Mas comecei aos 14 anos com um micro system da CCE, presente de meu pai. Então, importante é ficar feliz com o que tem e planejar para melhorar no futuro.


Um 3×1 pode ser um bom caminho


Se você vai se aventurar no mercado de usados, um aparelho de som 3×1 pode ser a solução. O interessante é que ele pode vir completo, até com as caixas de som, o que seria metade do caminho andado. Os 3×1 eram muito famosos na década de 80. Era composto por um aparelho que tinha rádio AM/FM, um toca fitas e um toca disco. Várias marcas fabricaram esses brinquedos por aqui, como a Philips, a Gradiente, a CCE, Panasonic (que antes tinha o nome de National) e Sony. Geralmente, esses aparelhos apresentam uma entrada auxiliar onde poderíamos ligar um CD Player (veja mais abaixo sobre eles).  No final da década de 90 também tivemos os 4×1, que também adicionava um CD Player ao equipamento, o que já traria um set completo para você. Claro que também tivemos aparelhos (e existem até hoje para comprar novos) que não apresentavam mais o toca disco e apresentavam apenas o CD como reprodutor de mídia. Mas, sinceramente, nessa época as caixas de som desses aparelhos já eram bem ruins, o que não seria mais uma grande vantagem.




Receivers


O receiver (ou receptor) é um aparelho onde é possível ligar vários aparelhos de áudio visual. Ele possui um amplificador interno e saída para caixas de som. Pode ser estéreo (dois canais de saída) e indicados para música, ou possuir múltiplos canais de saída (5,1 ou 7,1) o que o tornaria indicado para filmes. Normalmente eles possuem uma qualidade de áudio muito boa. Aparelhos novos são muito caros, mas alguns usados são bem em conta e com ótima qualidade. Temos os vintage como o Gradiente S125 que podem ser encontrados no Mercado Livre com valores variando de R$ 400,00 a R$ 800,00. Uma vantagem desses receivers é ter uma entrada para phono, o que garante o uso de um toca-disco modular sem problema. Mas, você deve pesquisar bastante e comprar de vendedores confiáveis. É um equipamento de boa qualidade, mas com mais de 40 anos de fabricação. A manutenção pode ser cara e, em alguns locais, inexistente.




Outra pedida seria o Philips FR 752. Eu comprei um desses em 1997 com o meu primeiro salário. Usei ele por 18 anos como aparelho principal e agora está no quarto como aparelho secundário e ainda funcionando muito bem. Boa qualidade de som, saída para 5 caixas, várias entradas digitais. Porém, ele não tem entrada para toca-disco. Existem vários modelos a venda no Mercado Livre com os mais variados valores. Vale a pena dar uma olhada.




CD Player


Se você apostou em um receiver ou em um 3×1 então falta um reprodutor de CD para o seu equipamento. Aqui a resposta é muito simples. Você até pode ir atrás de um CD Player novo e moderno, mas se prepare para pagar muito caro. Como esse não é o objetivo do texto, então eu indico que você pode quebrar um grande galho com qualquer aparelho de DVD que encontre no mercado. Você pode encontrar aparelhos novos e de marcas conceituadas por até R$ 300,00. E como é a qualidade de reprodução de som deles? Eu diria que muito boa. Você vai apreciar suas músicas com muito conforto.


Mas, se você quer uma coisa a mais, você pode se aventurar pelos CD-Players usados da Sony. Fabricados na década de 90, eles venderam muito no Brasil, então existem aos montes para comprar usados. Aqui vale o mesmo conselho que falei em relação aos receivers. Procurar muito, conversar com os vendedores e ver as principais diferenças entre os modelos. A única ressalva é evitar os aparelhos tipo carrossel com 5 CDs. O mecanismos de troca dos CDs é frágil e de difícil manutenção nos dias de hoje (não encontramos mais peças para reparos). A maior parte deles, mesmo em boas condições, acabam danificados durante o transporte. Os aparelho de gaveta para apenas 1 CD possuem manutenção fácil e ainda existem leitores fabricados na China para esses aparelhos. Uma boa pedida seria o Sony CDP-M33, um dos melhores vendidos por aqui. Média de preço de R$ 300,00 nos modelos melhor conservados.




E a qualidade de som de um CD Player da Sony fabricado 30 anos atrás é melhor do que de um aparelho de DVD fabricado hoje? Sim, meu amigo, bem melhor. Melhor nitidez nas vozes dos cantores, dos instrumentos e um grave mais encorpado na execução das músicas.


Toca-Disco


Aqui você entra em um mundo totalmente maluco e que não existe nada muito barato nessa parte. Mas, só lembrando: os LPs não possuem qualidade de som melhor do que os CDs. O que existe é um ritual, um lance nostálgico e, também, o fato do LP ter uma amplitude menor do que do CD. Esse fato faz com que as músicas sejam mixadas um pouco mais baixo, o que deixa a audição menos cansativa.


Você pode apostar em um toca-disco novo ou em um vintage usado. O que importa é que você não vai gastar menos do que R$ 1.000,00 em qualquer dessas opções. Quem tem um vintage em ótimas condições não vende barato e os aparelhos novos começam na faixa dos R$ 1.200,00 para os modelos mais simples. Se prepare também para comprar o disco de Vinil que não sai por menos de R$ 100,00 nas lojas.


Eu comprei um Gradiente DD100Q, um aparelho intermediário fabricado há mais de 40 anos. Estava perfeito e paguei por ele R$ 800,00. Você não é obrigado a investir nessa parte e conheço muita gente que é feliz apenas com o CD.


A única ressalva nessa parte é não investir nessas maletinhas com toca disco vindas da China. Os entendidos dizem que elas são Vinil Killers, ou seja, estragam totalmente seu Vinil por não possuírem as opções de ajuste do peso da agulha e o ajuste antiderrapante.




Caixas de Som


E por fim, porém não menos importante, temos as caixas de som. Na última década os aparelhos de som fabricados possuem caixas de som muito ruins. Sério, elas não passam por uma comparação com modelos mais antigos. Temos as caixas de som voltadas para o publico Hi End, que são muito caras, ou você pode tentar investir em caixas usadas. Por quase 20 anos eu utilizei as Gradiente WZ3. Elas eram parte de um aparelho de som 4×1. O aparelho queimou, mas continuei usando elas no receiver Philips. Boa qualidade de som e com 3 vias, possui uma batida de grave muito forte e um agudo que não é estridente. Existem modelos a venda no Mercado Livre a partir de R$150,00.


O importante nas caixas de som é pesquisar sobre sua qualidade e sempre procurar pelas caixas de som de 3 vias. Elas possuem 3 falantes, um para o tom grave, um para os tons médios e um para os tons agudos. Existem caixa de duas vias onde os tons médios precisam ser reproduzidos pelos falantes do agudo e do grave, o que torna o som um pouco mais embolado.




A Gradiente possuía uma linha de caixas de som chamadas Master. Existem vários sub-modelos dentro da linha Master com qualidades ótimas, mas um valor de venda nos dias de hoje bem alto também.


Finalizando


Bem, isso é o básico para passar para vocês. Também existiria a possibilidade de comprar um tape deck para esse aparelho de som, mas essa é uma mídia que nunca me interessei e não entendo nada sobre isso. O que importa para mim é, no fim do dia, poder sentar e ouvir uma música com qualidade tomando uma caneca de café. Isso para mim é vida boa.