Imagem capa - Você já gravou uma coletânea para alguém? por gilson lorenti
Música

Você já gravou uma coletânea para alguém?

Olá pessoas, tudo bem? Hoje bateu uma nostalgia ao encontrar por aqui algumas coletâneas que gravei há muitos anos atrás. Pensando um pouco sobre esses momentos, me deparei com a realidade de que o tempo passa, a tecnologia evolui, mas alguns atos das pessoas continuam existindo, mesmo que com nomes e formatos diferentes.


Para quem nasceu depois dos anos 2000 isso vai parecer estranho, mas nem sempre o acesso à músicas foi fácil ou barato. Quem paga uma mensalidade via Spotify (ou outros serviços similares) tem acesso à milhares de álbuns de quase todos os artistas do mundo. Você pode ouvir a qualquer momento e em qualquer lugar. Basta ter uma conexão de internet. E mesmo não pagando, você pode ir atrás de entretenimento nos vídeos do Youtube que postam discos inteiros para serem ouvidos.


Mas, nas décadas de 70, 80 e 90 a coisa não era tão fácil. Comprar um disco era caro, e não era possível ter tudo o que você queria. Por isso que aderir às coletâneas eram uma forma fácil de ter acesso a um número maior de artistas. Se você visitar um sebo em sua cidade, vai achar diversas coletâneas que eram lançadas em vinil. O primeiro disco que comprei com meu próprio dinheiro foi o Comando Metal, uma ótima coletânea com várias bandas de heavy metal e que abriu meus horizontes para vários estilos diferentes.




Mas, o bacana é que você tinha a oportunidade de produzir suas próprias coletâneas em fita K7, e é aqui que entra o principal ponto da nostalgia. O primeiro contato de todo adolescente da década de 80 com a música era através do rádio. Os grandes sucessos eram executados durante o dia e, dependendo da rádio, estilos eram segmentados nos programas. Então você ficava com uma fita K7 sempre no ponto de gravar esperando aquela música que você gostava. Era um misto de aventura e raiva, pois na maior parte dos casos a música era mutilada com propagandas das rádios, falas dos locutores e a canção nunca chegava ao seu fim de maneira limpa. Isso gerava um monte de coletâneas com músicas picadas. Uma emoção que não existe mais hoje.


Outra forma de coletâneas gravadas era quando você pegava o seu acervo e fazia uma seleção de suas melhores músicas. E haviam dois principais motivos para você fazer isso. O primeiro era uma forma de você ouvir as músicas que mais gostava em um mesmo momento, sem precisar ficar trocando os LPs (e posteriormente os CDs). A segunda, e mais importante, era para presentear alguém. Sim crianças, isso existia. Presenteávamos amigos para divulgar as bandas que gostávamos ou, o mais importante, dar de presente para a namorada. Uma grande declaração de amor naquela época era criar uma playlist romântica para sua namorada, para ela ouvir e lembrar de você (sei que isso parece piegas, mas quem está apaixonado não liga para isso).


Rob Gordon, personagem de John Cusack no filme Alta Fidelidade (2000) afirma que “fazer uma fita com uma boa compilação é uma arte sutil. Existem regras. A primeira é que você está utilizando a poesia de outra pessoa para expressar os seus próprios sentimentos.”




Com o tempo a tecnologia evoluiu, mas ainda fazemos coletâneas. Primeiro foi a possibilidade de gravar em CD. Mais qualidade, maior durabilidade e não enroscava nos aparelhos como as fitas K7. E, por fim, agora temos o Spotify e outros serviços similares, que nos entregam a possibilidade de fazermos nossas playlists, que nada mais são do que as antigas coletâneas. Só que agora, sem limite de tempo ou quantidade de músicas.


O que é determinante é que a música é muito importante em nossas vidas, e imprimem forte em nossas memórias as situações que vivemos na época em que as ouvimos. Uma coletânea bem feita pode ser uma incrível viagem ao passado.