06/08/2020 às 13:50 Fotografia

Nikon causa polêmica racial na Africa do Sul

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O mundo anda inflamado nos dias atuais por conta dos protestos contra descriminação racial que começaram nos Estados Unidos e se espalharam por vários locais do planeta. A luta contra o preconceito sempre é válida, mas vimos que alguns dos ataques da militância podem ser bem idiotas, como o caso das nomenclaturas master/slave nos equipamentos, ou a polêmica envolvendo a capa da revista Vogue com a Simone Biles. Acho que existem pontos mais importantes e mais contundentes para direcionar a luta. Por conta de todo esse reboliço, as empresas começaram a reorganizar suas práticas e apostar em diversidade. Não que elas realmente acreditam nisso, mas não podem ficar com uma imagem negativa com o público consumidor, então todas apenas seguem a correnteza. 

Mas, em alguns pontos, temos que dar destaque para a burrice de alguns setores de marketing das empresas. E nessa semana o prêmio de idiotice vai para a Nikon da África do Sul. Os gênios do marketing montaram uma campanha para divulgar a nova câmera mirrorless da empresa, a Z50, entre os consumidores daquele país. Para isso, elegeram seus novos embaixadores, fotógrafos que recebem o equipamento para divulgar suas funcionalidades e mostrar o uso no dia a dia. Foram escolhidos 7 fotógrafos, dos quais 6 brancos (arianos mesmo) e apenas 1 negro. E qual o problema disso? A Africa do Sul possui apenas 9% da população considerada branca e 75% da população é negra. Claro que as redes sociais caíram matando sobre a empresa, ainda mais que o vídeo promocional de divulgação dos novos influenciadores mostram os fotógrafos brancos falando um pouco sobre si e o fotógrafo negro,  Austin Malema, aparece no vídeo apenas para dizer o nome. 

A empresa retirou o vídeo do ar e fez um comunicado oficial: 

"Celebramos o poder da criatividade por meio de imagens, adotando diversas idéias e diferenças entre pessoas e culturas. Reconhecemos que nosso recente programa de influenciadores lançado na África do Sul não conseguiu retratar esses valores que nos comprometemos a incorporar e projetar como marca. Para garantir que refletimos melhor a incrível variedade de talentos na África do Sul, estamos reestruturando nossas iniciativas e atualizando o programa para introduzir criadores adicionais. Estamos comprometidos em promover o poder da fotografia e da videografia como uma ferramenta em todas as sociedades e comunidades. ”

Ou seja, fizemos caquinha. Infelizmente, a Nikon é uma empresa super centralizadora, e raramente as subsidiárias tem poder de fazer algo adaptado para o local onde elas estão. Tudo tem que seguir as diretrizes da matriz, até em suas atividades internas. Foi essa falta de capacidade de adaptação que levou a unidade do Brasil a ser fechada. E também foi essa postura rígida da empresa que levou a filial do Brasil (quando ainda existia) a ameaçar o Meiobit de processo por conta de uma brincadeira de 1º de Abril. Provavelmente a nova campanha da África do Sul foi  aprovada por um executivo no Japão, sem a possibilidade de mudanças por conta da galera da África do Sul. Agora tem que amargar essa vergonha. 

Não só a Nikon agora tem que rebolar, mas outras empresas japonesas como a Fuji já se comprometeram a aumentar a diversidade de seus embaixadores e influenciadores. Uma boa oportunidade para ótimos fotógrafos que eram ignorados apenas por conta de um fator idiota como a cor da pele. 

O vídeo original foi retirado do ar, mas você pode ver ele nesse outro vídeo na marca de 1 minuto. Realmente é constrangedor. 

06 Ago 2020

Nikon causa polêmica racial na Africa do Sul

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