Imagem capa - Iron Maiden - Nights of the Dead, Legacy of the Beast: Live in Mexico City por gilson lorenti
Música

Iron Maiden - Nights of the Dead, Legacy of the Beast: Live in Mexico City

E o Iron Maiden está lançando mais um disco ao vivo. Pode parecer algo trivial, mas não é bem assim. O Iron Maiden teve seu primeiro lançamento em 1980 e desde então colocou nas lojas 16 discos de estúdio. Uma bela marca. Mas, o mais bacana é também notar que eles estão lançando o seu 13º disco ao vivo. A banda entrou em uma  prática de lançar um disco ao vivo após cada disco de estúdio. E só lembrado que esse novo disco, intitulado de  Nights of the Dead é o segundo disco ao vivo lançado desde o último lançamento de estúdio, o Book of Souls de 2015.


Admito que não tenho todos os discos ao vivo da banda. Alguns acabaram passando, principalmente por conta de terem set lists muito parecidos. Mas, não podemos negar a energia que encontramos em todas as suas gravações. Esse disco me atraiu por conta de sua belíssima capa homenageando o dia dos mortos do México. O show que está nesse disco foi gravado na Cidade do México nos dias 27, 29 e 30 de setembro de 2019. Para falar a verdade, é o mesmo show que passou pelo Brasil durante o último Rock in Rio. Hoje, como as músicas estão sempre disponíveis no Spotify, decidi dar uma olhada , e meu amigo, não me arrependi. 




Você sente na alma quando um show do Iron Maiden é perfeito. E esse chegou bem perto. Temos as músicas de sempre, que são obrigatórias, como The Nunber of the Beast, The Trooper, Fear of the Dark, Run to the Hills e Iron Maiden. Mas, também temos algumas que não são muito comuns, como Where Eagles Dare, Revelations e Flight of Icarus. Também temos de volta duas músicas da época de Blaze Bayley, as incríveis Sighn of the Cross e The Clansman. E finalizando as surpresas, a música For the Greater Good of God do álbum A Matter of Life and Death (2006) que ainda não tinha aparecido em um ao vivo da banda (aliás, esse é o disco recente do grupo que não teve um disco registrando a turnê).




Porém, o trunfo desse álbum é realmente ter uma produção muito bacana. Como assim? Nos últimos anos a banda deixou de trabalhar com produtores contratados e passou a editar o seu próprio material. Uma decisão bacana para você ter todo o controle de seu material, mas perigosa se você não tem muita experiência com isso. Aqui você não deve pensar apenas no seu gosto musical, mas no que os fãs também estão acostumados a ouvir. Admito que não gostei muito dos primeiros trabalhos produzidos por Steve Harris e companhia, mas esse novo disco está tudo redondinho. Fica aquele sentimento de que estamos em casa novamente, tudo faz sentido e o único objetivo é se divertir. A banda manda muito bem na execução das músicas e o público responde com muita energia. A parede de três guitarras de Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers é implacável despejando bases e solos enquanto o baixo de Steve Harris é onipresente em todas as músicas. Já Nicko McBrain espanca violentamente sua bateria mesmo com seus 68 anos de idade. E, por fim, Bruce Dickinson continua cantando com energia e se divertindo como um jovem. Claro que o vocalista não consegue mais alcançar todo o poder vocal de 30 anos atrás, mas desenvolve sua função com muita competência e, para ser sincero, quem é fã vai se divertir da mesma forma.




Uma boa notícia para o fã do Iron Maiden é que o disco foi lançado oficialmente no Brasil. Nos últimos meses grandes lançamentos do mundo do rock não foram disponibilizados no Brasil,  que mostra que nosso país está fora da rota de lançamentos. Mas, como a base de fãs do Iron Maiden é muito grande por aqui, o disco apareceu apenas em versão CD duplo digipack. Ele também foi lançado em outras versões no mundo civilizado, inclusive vinil, mas se você procurar no Mercado Livre também existem versões deluxe com livros e revistas com fotos e informações da banda. Vale a pena ter esse pequeno disco na coleção e lembrar como é divertido ouvir heavy metal.