Imagem capa - Interpolação de imagens - como e quando usar por gilson lorenti
Fotografia

Interpolação de imagens - como e quando usar

Hoje em dia, por conta de câmeras e celulares que possuem resoluções monstruosas, falar de interpolação pode ser uma coisa meio estranha, mas ainda é necessário para quem vai trabalhar com grandes impressões (mercado fine art) ou para redes sociais. Sim, você que posta em redes sociais ou mesmo em blogs, está trabalhando com interpolação e nem sabe disso. Toda vez que você manda uma imagem para ser impressa em um minilab, ou mesmo postar uma imagem na sua rede social preferida, ela sofre uma interpolação para ser reproduzida em papel ou se adequar à melhor resolução da rede Já que o processo é inevitável e presente em nossas vidas, é muito mais vantajoso que o usuário esteja no controle do processo em vez de relegar para o operador do minilab essa tarefa.


Interpolar, segundo uma definição do Marcos Kim, é chegar a um resultado desconhecido através de fatores conhecidos. No caso da imagem seria criar novos pixels através dos dados dos pixels existentes. Embora a maioria das pessoas não saiba, todos os sensores de câmeras fotográficas (exceto o Foveon) trabalham com interpolação. A superfície deles é formada por um mosaico onde cada quadradinho é responsável por capturar uma cor primária (Vermelho, Verde, Azul), se parecendo muito com um tabuleiro de xadrez. Então, o quadradinho responsável pela captura da cor vermelha vai interpolar as duas outras cores através dos dados contidos nos quadrados vizinhos. Esse processo acontece de forma automática em quase toda câmera digital.


Como já disse em outras ocasiões, a quantidade de megapixels em uma imagem está relacionado ao tamanho máximo que você vai poder imprimir essa imagem. Então, quanto mais megapixels, maior vai ser sua cópia em papel. Outra relação interessante a ser colocada é o meio físico em que vai ser impresso essa imagem e sua relação de pixels por polegada. Para exemplificar o que estou falando vamos utilizar uma imagem produzida pela Canon 50D com 15 megapixels de resolução. Ao abrir essa imagem no Photoshop e ir até a guia imagem<=>tamanho da imagem, vamos ter o quadrado abaixo.




A informação do quadro me mostra a quantidade de pixels da foto (3168x4752) e quantos pixels temos por polegada (240 ppi).  Aqui cabe uma pequena explicação. Pixels por polegada (PPI) não tem nada a ver com pontos por polegada (DPI). As pessoas acabam usando a DPI para falar de imagem quando isso não se aplica a esse fim. DPI são os pontos de impressão enquanto PPI é a aglomeração de pixels em uma imagem. Existe muita gente que fica preocupada quando percebe que sua câmera está fazendo imagens a 72 PPI, mas isso não tem relação com a qualidade da imagem e sim com a dispersão dos pixels.


Agora entra a questão do objetivo da impressão. Se você vai mandar essa imagem para um minilab então, para ter uma noção do tamanho máximo de reprodução, deve-se desmarcar o quadrado Reamostrar e mudar a relação de ppi para 300 (esse é um número cabalístico, pois poderia ser mais ou menos, mas tomou-se ele como padrão). Assim que você desmarcou o quadrado de Reamostrar  os valores em pixels passaram para polegadas. Mude para centímetros. Ao fazer essa mudança notamos que o tamanho da imagem em centímetros caiu para 21,45 x 32,19 cm. Esse é o tamanho máximo de impressão sem interpolação.




Agora, se você vai fazer um quadro, a relação de pixels por polegada pode ser menor, já que a pessoa vai observar a imagem de uma distância maior onde a perda de qualidade não vai ser aparente. Se jogarmos 150 ppi na imagem ela vai adquirir um tamanho de 42,91 x 64,38 cm. Um outro exemplo bacana é a questão dos Outdoors, que por estarem muito longe de quem está observando usam uma relação de pixels por polegada muito baixa. Alguns chegam a 6 ppi, o que daria para nossa imagem de 15 megapixels um tamanho de 1.072,73 x 1.609,51 cm. 


Quando mandamos uma imagem bruta para um minilab deixamos a cargo do operador da máquina (que nem sempre tem um treinamento adequado para a função) as decisões de como dimensionar e que parte da imagem cortar (já notaram cortes em suas imagens?). Por isso que é mais vantajoso que o próprio usuário tome essas decisões. Aumentar ou diminuir o tamanho físico da imagem geram perda de qualidade, mas existem processos que minimizam essa perda.


Diminuindo o tamanho de suas fotos


A interpolação não é um bicho de sete cabeças e o processo é simples e prático para que o usuário tenha um total controle sobre a revelação de suas imagens. Acho que todos que já foram fazer cópias em papel de suas fotos em minilabs digitais já notaram que uma parte da fotografia sempre sai cortada. seja na parte superior ou nas laterais (as vezes nas duas). Isso acontece porque o redimensionamento da imagem para a impressão é feito pelo operador de forma automática e nem sempre cuidadosa (por conta do volume de trabalho e por ele também não ter nenhuma relação afetiva com a imagem) e por conta da proporção dos sensores das câmeras digitais compactas e de celulares.


A primeira coisa a se fazer é ir até o minilab que você utiliza e pedir uma cópia da tabela de tamanhos de impressão. Se ninguém souber o que é isso saia da loja e procure outra. Nessa tabela temos os tamanhos exatos de redimensionamento de fotos para impressão, bem como a relação de PPIs que o minilab utiliza (alguns trabalham com 400 em vez de 300 PPI). Vamos trabalhar com o exemplo mais comum que é a foto 10x15 cm. A primeira coisa que temos que ajustar, nesse caso, é a proporção. O antigo filme fotográfico tinha uma proporção 3:2 (mais retangular) enquanto o sensor fotográfico das câmeras compactas é de 4:3 (mais quadrado) e dos celulares pode ser panorâmico. No Photoshop clique na ferramenta  Corte na barra lateral a esquerda. No menu que aparece na parte de cima, escolha a opção Proporção. Digite nos quadrados ao lado o tamanho 10 e 15, que vai ser o nosso tamanho de revelação. Ao digitar os valores o Photoshop já mostra como será o corte de nossa imagem. Você pode brincar com a área de corte que a proporção será mantida e depois apertar o enter do teclado. Pronto, sua foto já está na proporção certa para impressão no tamanho de papel escolhido. Lembrando que quanto mais você cortar da foto, menos pixels ela terá. 




Depois de salvar a figura com outro nome (nunca adultere os originais, pois no caso do JPEG isso leva a perda de qualidade), abra o arquivo no Photoshop e vá até a guia imagem<=>tamanho da imagem. Desmarque a opção Reamostrar e no campo de PPI coloque em 300 e veja que o tamanho da figura ficou em 29,49 x 19,66 cm. Cabe lembrar que a medida do papel de impressão é um pouco maior do que o anunciado, em torno de 2 milímetros em cada lado. Marque novamente a opção Reamostrar e nesse caso,  vamos colocar 5 milímetros em cada lado para poder ter margem de segurança para um eventual desvio do papel dentro da máquina. Coloque no campo de menor tamanho da imagem o valor de 10,5cm. O outro valor se modificou automaticamente para 15,74cm. Sem problema, não pode faltar, mas sobrar um pouquinho está tudo bem. Ao lado da opção reamostrar, temos um comando que está marcado em automático. Se você abrir existem opções tanto para o processo de ampliação quanto para redução de imagens. Se deixar em automático o photoshop tenta determinar qual o melhor para sua ação, ou você pode escolher. O que acontece é que tanto aumentar quanto diminuir a resolução de uma imagem leva à perda de nitidez. Então é necessário aplicar nitidez na imagem para não ficar bizarro e é isso que esses processos fazem. Tenho deixado no automático nos últimos tempos e o software tem feito um bom trabalho, mas você pode aplicar cada um deles na mesma imagem e ver qual resultado mais lhe agrada. 





Aumentando tamanho da imagem


E se eu precisar fazer uma grande impressão de minha foto? Essa é a parte mais complicada e que muita gente acaba se enrolando. Aqui a questão das PPI (pixel por polegada) vai ser muito importante. Também temos que deixar claro que o processamento de imagens para interpolação dentro do Photoshop melhorou muito nos últimos 10 anos e agora o processo está mais fácil e com melhor qualidade.


A relação de PPI de uma foto está ligada ao tamanho máximo de nossa impressão. Quanto mais perto os pixels, menor é o tamanho da impressão (sem interpolação). E a relação de PPI também está ligado à distância máxima que o observador vai observar a foto. Levando em conta uma tabela construída pelo Ale Rodrigues, você pode fazer a seguinte relação. Se uma pessoa vai observar a foto de até 60cm de distância, então você precisa de 300ppi. Se a foto vai ser observada de 60cm a até 1 metro de distância, então você pode usar 180ppi. E se a foto será observada de 1 metro até 1 metro e meio de distância, então você pode utilizar 120ppi. Quanto maior o quadro, maior a distância de observação e menor nossa capacidade de detectar os detalhes. Olhando a foto abaixo, feita com uma Canon 7D de 18 megapixels, temos as seguintes medidas máximas de impressão levando em conta essa lógica: 300ppi (43,89 x 29,26 cm), 180ppi (73,15 x 48,77 cm) e 120ppi (109,73 x 73,15 cm).






Mas, vamos imaginar que você precise fazer essa imagem ainda maior. Você teve o pedido de um cliente que quer essa foto com largura de 3 metros com altura de 2 metros. Infelizmente, a resolução da câmera não é suficiente para esse tipo de impressão sem interpolação, ou seja, criar pixels com base nos pixels existentes.


Aqui cabe uma outra explicação. Todo mundo que trabalha com fine art e imprime suas fotos em gráficas com experiência em fine art, prefere deixar esse processo de interpolação para o operador da impressora. Existem softwares caros e cujo acesso não é conhecido para todos que são específicos para interpolar com qualidade. Mas, se você ainda está trabalhando com minilabs tradicionais, o Photoshop pode te ajudar.


Você vai até a guia imagem<=>tamanho da imagem e, ao abrir a caixa de ajustes, mantenha opção Reamostrar desativada e escolha a quantidade de pixels por polegada. Como é uma grande impressão, e as pessoas vão observar de longe, você pode manter os 120ppi. Se quiser utilizar 300ppi você até pode, mas o processo de interpolação vai ser mais agressivo e talvez você perda toda a nitidez que gostaria de ter ganho.


Depois de determinar a densidade de pixels, você deve marcar novamente a opção de Reamostrar e escolher se vai deixar em automático ou escolher algumas das predefinições de tratamento. Agora que temos a pegadinha. Eu poderia simplesmente ir até a opção de largura em centímetros e marcar 300cm para minha interpolação. Mas, o Photoshop teria que criar vários pixels baseados na amostra que ele tem. Então, o melhor é que você faça vários processos pequenos de interpolação na imagem até chegar ao tamanho desejado. Indico para você trabalhar com aumentos de 10% na resolução até atingir seu objetivo. O resultado será muito melhor e o arquivo vai manter uma qualidade mais elevada.


Arquivo RAW


Claro que você vai ter um resultado muito melhor tendo como partida um arquivo RAW. Termine de editar o seu RAW no Lightroom ou Camera RAW e exporte o seu resultado para TIFF (aliás, os laboratórios fine art preferem esse tipo de arquivo) e faça a interpolação nesse arquivo TIFF. O Jpeg, mesmo exportado com baixa compactação, ainda possui muito menos qualidade do que um arquivo sem compactação. O ganho de qualidade é perceptível.


Bem gente, esse foi nosso texto de hoje. Ficou bem extenso, mas na realidade essas informações são uma atualização de 3 textos que escrevi para o Meiobit 10 anos atrás. Muita coisa mudou nesse tempo e achei legal dar uma turbinada nesse texto. Lembrem-se que vocês sempre devem avisar o operador do laboratório de impressão para não fazer mudanças em seus arquivos, pois você já fez todas as configurações necessárias para a impressão.


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